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Abolição como conquista da sociedade civil organizada

Luís Severiano Soares Rodrigues

O transcurso dos 115 anos da assinatura da lei Áurea pela Princesa Imperial Regente, D. Isabel, em nome de seu Augusto pai, o Imperador D. Pedro II, nos dá motivo para relembrarmos aquele que foi um dos maiores problemas com que os estadistas imperiais se depararam. Problema que olhado por todos os lados era de dificílima solução, haja vista a dependência da grande lavoura exportadora (matriz produtiva principal) do braço escravo, sendo os escravos um conjunto que formavam um ativo imobilizado valioso, ou seja, o cerne do problema era o direito de propriedade, dentro de um país fundado no Estado de Direito.

O problema não se resume a isto, vinculado ao antes exposto, temos um modelo persistente de 300 anos, de baixa produtividade, incrustado na mente da classe dos proprietários, mas socialmente e humanitariamente insustentáveis. A evolução da solução do problema, nos mostra que aquela sociedade não negava o problema, e como num campo de luta se debatiam pela extinção mais rápida ou menos rápida da escravidão, que todos sabiam não poder durar para sempre.

A campanha abolicionista, é sem dúvida um momento de vitalidade do Brasil imperial, posto que verificamos uma mobilização da sociedade civil organizada, num, sem numero de clubes e diretórios abolicionistas por todo o país, de facções dentro dos partidos políticos, jornais , etc.

A extinção do tráfico, a lei do Ventre livre e a dos sexagenários, fruto de grandes lutas políticas no parlamento, colocaram o fim da escravidão como uma questão de tempo, mas os brasileiros queriam reduzir esse tempo, e mantiveram firmes as suas posições, gerando, sem dúvida as condições políticas para o termino da escravidão.

A Princesa Imperial foi elemento decisivo no momento chave, para se conseguir no parlamento a grande vitória, pois usando as prerrogativas do poder moderador substituiu na Presidência do Conselho de Ministros o barão de Cotegipe (defensor da extinção gradual) pelo conselheiro João Alfredo (abolicionista pra já). Antes de passar a pasta, o velho barão vaticinou que daquela forma D. Isabel perderia o seu trono. A princesa não fraquejou e o Treze de Maio a pôs para sempre em um lugar de honroso destaque na historia do Brasil, realizando assim a vontade de D. Pedro II.

Fruto da sabedoria de seu pai e da bondade de sua mãe D. Isabel se pôs à frente de seu amado povo e libertou os últimos escravos, contudo aquele momento de júbilo em que o povo brasileiro externou sua satisfação, ficou apenas nos corações do povo, os corações dos ex-senhores de escravos acumulou ódio e a nossa princesa seria odiada por gerações sucessivas. A traição covarde não tardou e o golpe de Estado republicano fez do Brasil uma republiqueta sul-americana. O barão de Cotegipe era um homem lúcido e estava certo, infelizmente não haveria o terceiro reinado, acabava a tradição do poder civil, da luta parlamentar, da alternância dos partidos no poder, e alem de tudo sabemos o lugar destinado aos negros na república.

O vivo júbilo e satisfação do povo brasileiro com o 13 de maio, testemunhamos aqui com a reprodução de dois folhetos de autoria de Achille Biolchini, que os fez circular as suas custas no dia 19 de maio de 1888, para como outros externar a satisfação nesse momento grandioso do Império do Brasil.


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No jornal Glória do Outeiro de nº 17...

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