História Igreja Arquivo Museu Biblioteca Serviços Noticias
Voltar à página anterior Voltar à página principal

Carta do Provedor

Com a Palavra a Provedora

Mensagem do Capelão

Agenda de eventos

Música no Outeiro

Excelentíssimo Ministro da Cultura Gilberto Gil

C.I. Mauro Ribeiro Viegas – Provedor Jubilado

Jorge Paes de Carvalho, provedor e Maria Stella Paes de Carvalho, provedora em visita à OficinaDesignado pelo Caríssimo Provedor Jorge Paes de Carvalho para agradecer Vossa presença em nome de Nossa Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, não me sentiria com o dever cumprido, se não fizesse rápido comentário histórico: nesta Igreja, a 2 de janeiro de 1826 sobe á Glória D.Pedro I com o filho, o futuro D. Pedro II, de um mês apenas de idade. E a Senhora o abençoa, com uma benção generosa que cobre o seu longo e fecundo reinado.

O Outeiro da Glória, que se apresentava, antigamente abrupto sobre o mar, e onde se encontrava a “fortaleza de Biraoaçumirim, grande principal e muito guerreiro... com muitos franceses e artilharia”, que foi conquistado pelos portugueses, comandado pelo Capitão-mor Estácio de Sá, em 20 de janeiro de 1567, dia do glorioso Mártir São Sebastião junto à entrada da baía, entre os morros Cara de Cão e o Pão de Açúcar, no dia 1 de março de 1565 dando-lhe por armas um molho de setas, e que ali por dois longos anos, só, com um punhado de bravos resistira aos ataques de franceses e de gentios, foi ferido por uma flecha naquele combate, vindo a falecer decorrido um mês.

Este Outeiro, que se chamou por algum tempo do Leripe, tomou definitivamente o nome de Glória, quando ali em 1671, o ermitão Antonio de Caminha edificou pequena capela sob esta invocação.

As terras, compreendendo o Outeiro, onde havia Caminha erigido à ermida de Nossa Senhora da Glória, pertencia a Cláudio Gurgel do Amaral. Pelo texto de escritura, depreende-se que em 1699, já havia uma Irmandade criada para cultuar esta Senhora, tendo sido iniciada em 1714 a construção de uma nova Igreja de pedra e cal, pois a primeira era de madeira e de barro, e concluída em 1734.

O interior da Igreja é adornado por azulejos setecentistas, vindos de Portugal segundo presume-se entre 1712 e 1715, pois não foram encontrados documentos sobre a encomenda, seu custo e recebimento.

O autor dos azulejos foi o Mestre Valentim de Almeida, um dos expoentes da azulejaria joanina, que é também autor dos azulejos da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, na Bahia. Não se tem notícia sobre a interpretação que o pintor quis dar a seu magnífico trabalho, entretanto os especialistas, inclusive o Frei Pedro Sinzig atribuem ao “Cântico dos Cânticos”.

O templo inclui a nave, a capela mor, corredores laterais, a sacristia e o coro. Os azulejos quase que substituem a talha como ornamentação e formam um dos conjuntos mais importantes do Brasil.

O desenho e a cor dos azulejos criam um peso decorativo nas paredes que se contrapõem é leveza decorrente da capacidade do material de refletir a luz.

Os painéis de azulejos criam uma oposição à verticalidade do interior da Igreja, estabelecendo-se como elemento de comunicação com o homem, adequado à sua escala e ao seu campo visual mais imediato.

Os azulejos apresentam o desenho monocordo, azul sobre fundo branco, conforme a composição barroca joanina, com ornamentação e pilastras de robustas volutas.

A singularidade e a erudição do traçado arquitetônico associada à importância do conjunto de azulejos que orna o interior do templo formam os aspectos de maior relevância deste patrimônio maior que é a igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

Há alguns anos já notava-se a deterioração dos azulejos, prejudicados pela umidade e salinidade das paredes pois na sua construção de pedra, a areia utilizada era a areia do mar, como se pode observar nas paredes internas junto à escadaria que vai à cobertura da Igreja.

Realizamos obras de drenagem no adro, e no perímetro da Igreja foram instalados tubos com cerca de dois metros de profundidade para arejar a área e evitar a umidade ascendente.

Decidiu a Administração da Irmandade em 1997, convidar a Fundação Espírito Santo para uma visita à Igreja, tendo aqui comparecido Sra. Maria João Espírito Santo Bustorff Silva, com uma equipe que fez detalhada vistoria, filmando todos os painéis, tendo a Irmandade enviado um documentário fotográfico completo para possibilitar a apresentação de sua proposta de restauração. Após tentativas, durante dois anos com outras instituições, finalmente o BNDES concordou em participar, através da lei de incentivo à cultura, assinando em 2002 dois contratos, e ainda tivemos o patrocínio da Petrobrás e do Grupo Espírito Santo, do Brasil.

Está esta Igreja de parabéns, pelo magnífico restauro de sua preciosa azulejaria, de parabéns a Fundação Espírito Santo na pessoa de sua presidente Sra. Maria João Espírito Santo Bustorff Silva, que aqui aportou com uma competente equipe, trabalhando diuturnamente, ora no canteiro de obras, ora em laboratório, acompanhando e desenvolvendo a pesquisa.

Cabe-me agradecer ao BNDES, à Petrobrás e ao Grupo Espírito Santo Brasil, a colaboração indispensável – a financeira; ao IPHAN, que cumpre fielmente o seu papel, desde o seu primeiro diretor Rodrigo de Mello Franco de Andrade, e Lúcio Costa, de saudosa memória, e ao Senhor Ministro da Cultura, que cada vez mais aumente os incentivos à cultura, tão necessários aos bens tombados existentes em nosso país porém carentes de recursos.

Muito obrigado!


Jornal Glória do Outeiro
No jornal Glória do Outeiro de nº 17...

Carta do Provedor

Com a Palavra a Provedora

Mensagem do capelão

Restaurados os azulejos centerários

Patrimônio de Nossa Senhora - 1884/1885

Abolição como conquista da sociedade civil organizada

Notas e Notícias

Imperial Irmandade de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.
Todos os direitos reservados.
Produzido por PICTUS arte interativa. 2007.