Adro
Não mais à beira-mar, por força dos sucessivos aterros a que foram submetidas as praias do Flamengo, do Russel e da Glória, o outeiro, com a elegante igreja de Nossa Senhora da Glória, ainda domina a paisagem carioca, apesar das edificações que o envolvem.
Ao topo do outeiro um amplo terrapleno, arrimado por muros de alvenaria, apresenta plano octogonal - um retângulo com os cantos chanfrados - e serve de adro para a igreja. Devido à inclinação da ladeira que contorna esse adro, ele fica, pela banda dos fundos, pouco acima do logradouro, enquanto pela frente o acesso se faz por duas amplas escadas de cantaria que convergem para um patamar central, de onde os degraus prosseguem, em lance único, em direção ao pórtico da igreja.
Entre os arranques dessas duas escadas, na face do muro de arrimo voltada para o logradouro, foi, há muitos anos, reaberto um antigo nicho, que abriga a cópia feita em Portugal da imagem da Senhora da Glória que se venera na cidade de Lagos, no Algarve.
O adro, pavimentado, com lages de pedra, é contornado por guarda-corpo com peitoril da cantaria junto ao qual se estendem bancos com assentos também de cantaria.
Na parte dos fundos, à esquerda, encontra-se uma antiga cisterna protegida por guarda-corpo de cantaria - obra de grande apuro de execução.
Desse adro, em cujo centro se implanta a Igreja, a paisagem que se descortina é empolgante e variada, abrangendo a Baía de Guanabara com seu contorno caprichoso, desde o Pão de Açúcar, a entrada da baía, sua margem com o perfil de Nitróoi, até, ao longe, a Serra do Mar; grande parte do centro comercial do Rio, com a massa compacta e desordenada das edificações; as faldas do Morro de Santa Teresa, o Aterro do Flamengo, com o Museu de Arte Moderna, o Monumento aos Expedicionários e os jardins do Parque do Flamengo.
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